Pedido de Casamento no Inhotim

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Em 2014, logo depois que eu e o Leo nos conhecemos...

Eu poderia ficar horas falando da experiência que é a imersão na arte e natureza juntas

Nós decidimos fazer uma viagem juntos. Pegamos nossas coisas e fomos para o Inhotim, onde ele aproveitou o cenário lindo e me pediu em namoro. Desde então a gente costuma fazer essa viagem uma vez por ano, aproveitar para ver o que tem de novo no parque, dar um pulo em BH.

Eu poderia ficar horas falando da experiência que é a imersão na arte e natureza juntas – mas primeiro vamos ao que interessa: o Leo me pediu em casamento e EU DISSE SIM!!

Foi interagindo com a obra Viewing Machine, de Olafur Eliasson, que funciona com os princípios de um caleidoscópio, que ele perguntou “quantos de mim você está vendo?”. Eu disse que estava vendo muitos, e ele foi rápido ao devolver “todos eles estão te pedindo”.

Caiu a ficha. Eu corri para o outro lado e para os braços dele, sem pensar na pose e na compostura, porque nessas horas a gente até esquece que está com o celular gravando (e estava!).

Na etimologia da palavra caleidoscópio, estão as palavras gregas kalos (belo), eidos (forma) e scopos (observador) – “observador de belas formas”, algo que o artista reinterpreta no título da obra: “máquina de ver”.

Agora vamos lá, sobre o Inhotim:

Vá preparado para andar. Faz parte da experiência! O Inhotim é um museu e parque, a ideia é interagir com a natureza, os jardins de Burle Marx, os animais que moram lá e a arte que ele abriga. A estrutura do local é espetacular – se chover, tem guarda-chuvas. Se fizer sol demais, use os guarda-chuvas como sombrinhas. Não se esqueçam do protetor solar e de sapatos confortáveis!

Para quem tem pouco tempo e quer ver tudo, o museu oferece também um transporte interno, que são carrinhos elétricos (que nem os de golfe). Eles circulam pelos três principais trajetos do parque que ligam as galerias.

Antes mesmo de viajar, eu planejava começar esse post falando que uma visita ao Inhotim nunca é a mesma. Queria falar sobre como o acervo sempre muda e como é bom revisitar as instalações fixas a cada visita. E aqui estou agora, ressignificando a obra de Eliasson, que agora faz parte da minha vida e do Leo!

Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe

As paredes coloridas de Hélio Oticica fazem parte de um grupo de seis trabalhos que se articulam em torno da praça e do quadrado (já que em inglês a palavra square carrega os dois significados). As obras são propostas de edificações ao ar livre, que o artista não chegou a executar em vida e cujas instruções de realização foram minuciosamente anotadas por ele em textos, plantas, desenhos técnicos, diagramas, maquetes e amostras. Lugar perfeito para uma sessão espontânea de fotos ao ar livre!.

Linda do Rosário

A galeria Adriana Varejão é inteiramente dedicada à artista. É uma das mais bonitas, delicadas e pungentes do museu. A obra “Linda do Rosário” foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos cômodos do prédio. É forte, te faz sentir coisas e é imperdível, assim como a galeria toda.

Piscina

Por via das dúvidas, leve uma roupa de banho e uma toalhinha. Você pode nadar nessa instalação! O pior que pode acontecer é você ter uma história para contar! E dividir o espaço com algumas crianças barulhentas, o que também faz parte… O Inhotim convidou o artista Jorge Macchi, que desde o início de sua carreira tem produzido aquarelas que retratam objetos banais reimaginados em situações surrealistas, refletindo diferentes estados psicológicos. Foi assim que nasceu a “Piscina”, uma caderneta de endereço com índice alfabético que também é uma piscina em funcionamento!

Desvio para o vermelho

“Desvio para o Vermelho: Impregnação, Entorno, Desvio” de Cildo Meirelles é outra obra prontinha para o Instagram, mas que merece ter seu conceito explicado. Ela reúne uma série de objetos vermelhos que ele juntou e ganhou de outros artistas. Para isso, ele separou essa grande sala em três partes. Quando você entra, é como se fosse uma sala de casa com todos os aparatos domésticos vermelhos. 

 Todo o conjunto fala bastante com a gente. Na década de 1970, o Cildo foi exilado, porque estava sendo perseguido pela Ditadura. Ele escrevia frases em garrafinhas nos circuitos ideológicos, como “Qual o momento de visitar arte? Qual o momento de absorver cultura? Qual é o momento de ir a uma galeria?”. Ele também escrevia “Quem matou Herzog?” nas notas de Cruzeiro, moeda brasileira na época.

Pronto! Seu story super mega híper exclusivo top das galáxias vai só pros mais privilegiados do rolê.

Pavilhão Sônico

Essa obra é uma viagem, por falta de palavra melhor. Sabe aquela conexão com o mundo e o universo e todas as coisas que a gente sente quando está meditando? Ou quando chega num lugar especial no meio da natureza, no alto de uma montanha, até mesmo na praia? Bom, Doug Aitken abriu um furo de 200 metros de profundidade no solo e instalou uma série de microfones para captar o som da Terra. Só que a enorme cavidade cria um espaço de reverberação contínua, cujo som é transformado pelo trabalho de equalização. Ouvimos um padrão nunca repetitivo, rico em frequências e texturas. É incrível. O espaço também tem vista panorâmica para as montanhas de Brumadinho. Pura experiência sensorial. na época. Pronto! Seu story super mega híper exclusivo top das galáxias vai só pros mais privilegiados do rolê.

Rodoviária de Brumadinho

O mural Rodoviária de Brumadinho, obra do norte-americano John Ahearn e o porto-riquenho Rigoberto Torres, representa a estação rodoviária de Brumadinho e as pessoas que passam por ela, um lugar que é não apenas um terminal de transporte mas também centro de vida social, pois nele se apresentam grupos de danças populares. Todos os personagens retratados na obra são moradores da cidade. O mural agora é mais importante do que nunca. Inhotim fica em Brumadinho, cidade que foi atingida pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão. Dezenas de milhares de pessoas foram atingidas e o Inhotim tem uma relação íntima com a população da região, muitos empregados do centro de arte contemporânea tiveram familiares afetados pela tragédia.

A Origem da Obra de Arte

São 150 vasos de cerâmica em forma de letras, terra, 12 tipos de semente e instrumentos de jardinagem. Cada letra tem o feitio de um vaso de cerâmica (ou será o contrário?) e, à disposição do espectador, encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes. Para abrigar a obra e servir de ponto de partida para a criação dos textos, foi construído um pequeno galpão, evocando uma estufa ou um ateliê de jardinagem. A produção das letras-vaso durou vários meses e contou com a participação de dezenas de mulheres das comunidades do entorno. A obra é da artista Marilá Dardot.

Galeria Cosmococa

A galeria Cosmococca é um trabalho de Hélio Oticica (sim, o das paredes coloridas) em parceria com o cineasta Neville D Almeida na criação de instalações chamadas de quasi-cinemas. Os quasi-cinemas representam o ápice do esforço que Oiticica empreendeu ao longo de sua carreira para trazer o espectador para o centro de sua arte. São experiências multisensoriais e é uma galeria imperdível, mesmo.

Tem muito mais no Inhotim do que essas obras e galerias. Para visitar todo o parque e sua arte são necessários três dias. Mas se você não tiver todo esse tempo ou ânimo, tudo bem também. Você sempre pode voltar, e cada visita vai te surpreender!

Inhotim

Look

Sobre o estilo

As fotos desse post foram feitas em Inhotim, Minas Gerais
e para o look:

Calça: Infini Fashion

Top: acervo pessoal

Sapatilha: Crysbella

Bolsa: Adô Ateliê

Fotos: Leo Azevedo  

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