Um dia como qualquer outro

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Hoje eu acordei da melhor forma possível: com beijos e uma linda declaração.

Acontece que hoje faz um ano que vi o amor da minha vida pela primeira vez, e apesar de não ficarmos juntos por muitos meses, hoje marca o dia em que tudo mudou. E então escrevi isso aqui:

 

Um dia como qualquer outro

Há um ano atrás nos vimos pela primeira vez.

Combinamos um drink despretensioso, um bate-papo no bar. Minha intenção era fazer negócio – tinha uma agência para tocar e precisava de um cara de arte para freelar.

“Teremos ideias para trocar.”

Nada demais. Um dia como qualquer outro.

Marcamos 20h num bar perto de casa.

“Assim não preciso pegar o carro,” pensei. “E se o cara for um mala absoluto, pelo menos eu fico bêbada.”

Me atrasei. O horário veio e eu estava seminua no telefone discutindo relação à distância com o ex-namorado.

“Não há afrodisíaco mais poderoso que DR com o cara errado.” Ah, o sarcasmo.

Joguei no corpo meu uniforme diário: saia rodada, cropped, all-star.

“Não preciso impressionar.”

Andei com passos apressados, a cabeça baixa. Meus tênis estavam sujos, minhas intenções, limpas.

Jantar, bebida, negócios. Um dia como qualquer outro.

Cheguei à esquina do bar mais rápido do que gostaria. Era só ignorar a naturalidade de atravessar a rua que pra casa eu voltaria.

Aí nos vimos.

Mordi o lábio inferior e fui lembrada das rachaduras que a viagem havia deixado na boca e no coração. Desistir deixou de ser opção.

Cruzei para a outra calçada, parei à sua frente e sorri. E ele sorriu.

“Esse sorriso não vou devolver.”

Não tínhamos mais como nos desver.

Possibilidades apareceram, projetos surgiram, olhares aconteceram, vontades vieram.

Minha boca doía. A pele ressecada ardia, o desejo pelo beijo crescia.

“Essa pomada é horrível, mas alivia!” Assim ele não chegaria.

Trocamos histórias, confessamos medos, contamos uma ou outra piada e revelamos segredos. Conversamos até de madrugada.

E de volta à calçada onde há pouco nos descobrimos, nos despedimos.

Cuidado. Não podíamos atravessar os limites da vida já montada de cada um, mas tudo havia mudado.

“Pra sempre ou de jeito nenhum.”

Voltei para casa sozinha, sonhando. Um dia como qualquer outro.

 

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